quarta-feira, 26 de agosto de 2009

NA BEIRA DAS ESTRADAS É COMUM O COMÉRCIO DE ESPETOS DE RATO



Ele está em pé, no acostamento, em algum trecho da Highway Kamuzu Banda, acenando para os veículos que passam tinindo por uma das principais estradas do país, o objetivo é chamar a atenção do motorista para vender o seu produto: espeto de rato, constituído na verdade em dois pedaços de bambus, amarrados, unidos, por barbantes que assim seguram o alimento no ar.
Seu nome é Charlo, tem 22 anos, está com uma camisa bem suja de terra, uma calça mais comprida do que as prórpias pernas. Ele diz que já faz um bom tempo que ganha a vida dessa maneira. No dia-a-dia, principalmente, entre julho e agosto, período de alta temporada, época que Malawi recebe um elevado número de turistas, sempre acontece de algum gringo pagar só pra ver e tirar foto dele comendo um rato.
Diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, pelo menos em termos de habitat, não se trata de um rato de esgoto e sim do mato, das savanas, aliás, conforme as palavras de Charlo, ele perde bastante tempo para caçá-los.
É claro que não só para o hábito, mas também para o imaginário americano e europeu, tal alimentação é muito fora da normalidade, talvez até mesmo em Malawi, já que nas ruas do centro, nas proximidades dos grandes comércios da capital, em nenhum momento, este jornalista e blogueiro do Projeto, registrou tal tipo de mercadoria.
Por isso, acredito que não seja algo de gosto ou de venda popular na região, existe, no entanto, como mais uma fonte de sobrevivência, acredito que devido à situação de miséria, tocante aos problemas de origem social, foi isso que pude perceber nas minhas andanças por lá, tanto que não aconselho a nenhum turista sair andando pelas ruas de Lilongue com um espeto desses, pode soar de modo zombeteiro à população.
Muito risonho e expressivo, Charlo, apesar da forte aparência de jovem carente, quando percebe que foi acionado apenas para conversar dá dois passos para trás, faz um gesto de até logo, e volta a acenar os “espetos” de rato para outros veículos, afinal, esse é o trabalho dele, e tempo é dinheiro.

5 comentários:

EVILLENE disse...

Já tinha ouvido falar sobre esse comercio de espetos de ratos na beira das estradas em Malawi...muito triste e lamentável a pobreza naquele lugar.
Que Deus ache corações sensiveis pra ajudar aquele povo, contribuindo assim da forma que pode, para mudar sua história.

Anônimo disse...

Fiquei impressionada com tal artigo. Quanta miséria há neste mundo de Deus.
Seremos nós privilegiados.Por que?

Will Brasil disse...

Parabéns pela matéria Bézza.

Está mostrando para o mundo um ótimo trabalho do Projeto.

Sucesso

Abraços

Will

disse...

Parabéns pela matéria Bezerra.

Fiquei impressionada com tanta miseria. Devemos agradecer todos os dias pelo privilegio de termos tudo do bom e do melhor. Que Deus tenha piedade desse lugar.

Fabio Bézza disse...

VALEU FÊ, VALEU WILL! EU que agradeço a vocês pela leitura, E POR FAVOR: Divulguem o PROJETO.
OBRIGADÃO!!!